segunda-feira, 24 de junho de 2013

Filhos - Herança do Senhor - Salmo 127

Filhos não são nossos. O Salmo 127 nos relata que filhos são heranças do Senhor. Herança é algo que nos dão, não por mérito, mas por amor. Deus em sua manifestação de amor por nós, nos deu estes filhos queridos. Deus é quem gera vida. Filhos não devem ser vistos como uma perturbação, mas uma benção. Filho não toma seu tempo, até porque o tempo também não é seu. Filhos nos dão honra e respeito. Como criá-los? Obedeça quem os criou, pois, somente quem os criou é capaz de revelar (em Sua Palavra) tudo, para que nós, pais, nos tornemos habilitados para tê-los. Estes três aí são minha herança, meu bem maior. Daqui um tempo, serão lançados num tempo, onde provavelmente eu não tenha mais o tempo. E no mundo como estarão? Da mesma forma que chegaram, protegidos, vigiados e vividos, diante do seu Criador. E finalmente, os lançarei, não para um mundo melhor, mas melhores filhos que o mundo poderá ter, em Cristo. Humanamente e saudosamente falando, como eu gostaria de ter o meu pai Darcy Sborowski, neste tempo. Seria maravilhoso, tanto para mim, como para eles. Fica aqui pai Darcy, o seu legado honrado. A Deus toda a glória e todo o louvor.






quinta-feira, 20 de junho de 2013

Por que Jesus teve de morrer?

Olhando para estes versos abaixo, percebemos que não temos mérito algum no resgate de Deus, por intermédio de Cristo para a salvação de nossa alma. Ao ler estes versículos, reflita o quanto temos negligenciado, logo nas primeiras horas da manhã do nosso dia, o que deveria ser a maior motivação do nosso viver.

Jesus morreu para:

1) (Jesus) a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos (Romanos 3.25)

2) Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados (1 João 4.10)

3) Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio em nosso lugar (Gálatas 3.13)

Que Deus nos traga esta satisfação e gratidão pelo que ELE fez por nós.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Crente não combina com "balada" - Pr. Leandro B. Peixoto

Já que o assunto desta última semana rodeia "balada", com todo o respeito aos mortos e seus entes queridos em Santa Maria, vai aí um lembrete deste amigo e irmão. 

CRENTE NÃO COMBINA COM BALADA 
Texto excelente do Pr.Leandro Borges Peixoto. 

Leia com atenção.
Crente não combina com balada
domingo, 06/05/2012 10:08h

Entendo que crente não combina com balada. Para quem pensam que é radicalismo, deixo a definição de um site jovem que encontrei: “ba.la.da sf. 1.Música dançante tocando altamente, para turbinar o sangue. 2. Beijo na boca estilo filme (Pulp Fiction – Tempo de Violência). 3. Pop. Diversão garantida e prazeres vividos. 4. Adrenalina, corpo pegando fogo. 5. O básico, essencial”.

Mais do que uma simples diversão, a balada é uma filosofia de vida. Leia atentamente o relato de Onna Roxane, em Spiner – site para jovens: “Balada dá a esperteza que precisamos para estarmos mergulhados neste mundo às avessas. O que seria de nós sem os beijos noturnos, sem os abraços quentes, sem as músicas estourando os tímpanos? É na balada que descarregamos nossos cansaços, nossos desgostos, nossa falta de bom senso. Na madrugada fria nos aquecemos e na quente pegamos fogo. É o nosso momento mais jovem. Como o mundo está em constante transformação, estamos ganhando responsabilidades cada vez mais cedo, temos uma vida de pseudo adultos e não de jovens”.

E então, o cristão pode participar de balada? A resposta parece óbvia. Não (Rm 12.1-2)! Mas há crentes que gostam de baladas. Eles viram as noites dos sábados para os domingos nas noitadas, às vezes em shows e bailes, muitas vezes sentados numa roda de cerveja (e outras coisas mais!) com amigos, jogando conversa fora. Alguns argumentam dizendo: “Mas eu não bebo, não fumo e nem uso drogas… Só gosto de dançar, de curtir… Mas é só uma festa de aniversário… Mas os pais do aniversariante estarão lá… Mas eu não faço nada de errado… Mas fulano(a) vai… Mas…”

No fundo todos sabem o que vai rolar, sabem como será a festa, sabem que nada ali glorificará a Deus (1Co 10.31). Então, por que participar? Por que ir a um lugar destes? A resposta mais comum é: “Porque eu gosto!”. E este é o nosso maior problema. Amamos as obras da carne (Gl 5.17), nosso desejo é quase sempre para o mau (Tg 1.14). Portanto, cuidado com suas vontades e escolhas. Não chame ao mal bem e nem faça das trevas luz (Is 5.20). Deus fala claramente que antes nós seguíamos o mundo e os nossos próprios desejos (Ef 2.1- 3). Agora, no entanto, somos filhos da luz, e devemos viver da forma certa, como sal e luz (Mt 5.13-16), mostrando que somos novas criaturas (Gl 2.22; Ef 2.4-7).

Participar de baladas é, no mínimo, concordar com elas, dizer que não há nada de errado ali, que aquelas pessoas podem continuar na mesma. Como crentes, porém, faríamos muito bem se seguíssemos o conselho de Paulo: “Fuja dos desejos malignos da juventude e siga a justiça, a fé, o amor e a paz, com aqueles que, de coração puro, invocam o Senhor” (2Tm 2.22). Não devemos nos associar com pessoas imorais (1Co 5.9), mas viver pelo Espírito de modo a não satisfazer os desejos da carne (Gl 5.16), e ter o nosso prazer na lei do Senhor (Sl 1.1-2).

Além de testemunho, ficar longe de baladas evita a tentação e traz proteção, pois mesmo que o crente esteja sóbrio, alguém ao redor pode não estar. Todos sabem que baladas e barzinhos têm por ênfase estimular o consumo de álcool, de forma que é comum vermos pessoas embriagadas em lugares assim (Pv 20.1; 23.29-35). A Bíblia é clara, a vontade de Deus é que sejamos santos em práticas, pensamentos e posturas (1Ts 4.3-8). É por isso (e muito mais!) que digo: “Crente não combina com balada (2Tm 2.22)”.

Pr. Leandro B. Peixoto
Pastor da Igreja Batista Central de Campinas – São Paulo
ibcentral@ibcentral.org.br

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Pastores Segundo o Coração de Deus

Um programa especial para compartilharmos sobre as necessidades do ministério pastoral, nossas angustias, nossos desejos, nossas decepções, mas também nossas vitórias, alegrias e satisfações que Deus na sua infinita graça nos permite passar, pastoreando o Seu rebanho, um privilégio para os que são chamados. Se você se encontra na região do estado de Goiás e nas proximidades de Brasília (DF), procure se informar e participe deste programa. Deus irá nos abençoar certamente.


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A Bíblia dos Homossexuais "Queen James" - Opinião de Augustus Nicodemus Lopes


Uma Bíblia chamada “Queen James”, que foi lançada com o objetivo de eliminar as discussões acerca do homossexualismo, causou polêmica entre os evangélicos no Brasil.

  • Bíblia Gay - Rainha James
    (Foto: Divulgação)
    Bíblia Gay - Rainha James
A Bíblia "Queen James” (Rainha James) foi adaptada a impedir interpretações contrárias à prática homossexual, que é condenada nas versões originais das Escrituras.
Em entrevista ao The Christian Post, o pastor e teólogo Augustus Nicodemus comenta sobre o tema e questiona “quantos versículos precisamos para reconhecer que Deus aborrece alguma coisa?”
Nicodemus refere-se ao argumento dos idealizadores da ‘Bíblia gay’ que dizem que entre milhares de versículos no livro sagrado apenas 8 interpretam o homossexualismo como pecado.
A nova versão da Bíblia tem o nome ‘Rainha James’ para sua versão baseado na história do Rei James da Inglaterra, que autorizou a primeira tradução da Bíblia para o inglês mais de 400 anos atrás.
Os ativistas gays alegam que James era bissexual e que apesar de ser casado possuía relacionamentos homossexuais, ficando conhecido como ‘Rainha James’ por pessoas mais próximas.
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No entanto, a fim de esclarecer esta questão, o teólogo Augustus Nicodemus explica que na verdade a referência a James como ‘Rainha James’, baseia-se num epigrama da época, "Rex fuit Elizabeth, nunc est regina Jacobus".
O termo significa "Elizabeth era o rei e agora James é a rainha" e era uma piada sobre o fato de que o Rei James era pacífico e tranquilo enquanto que sua esposa Elizabeth era agitada e autoritária.
“Não havia qualquer insinuação de homossexualidadena frase, que visava apenas debochar da passividade do Rei James”, disse ele ao CP.
De acordo com o teólogo, o Rei James era um cristão comprometido, erudito e muito capaz teologicamente. Além disso, ele diz que o fato de que muitos de seus amigos mais próximos eram homens jovens deu origem à especulação quanto à sua sexualidade.
No entanto, Augustus revela que em um trabalho teológico escrito pelo Rei James ("Basilikon Doron"), o próprio coloca a sodomia entre os pecados que jamais deveriam ser perdoados.
Ele ainda comenta a reivindicação dos idealizadores da Bíblia Rainha James quanto a palavra "homossexualidade" que só foi mencionada na Bíblia RSV (Revised Standard version) a partir de 1946 e que antes disto não havia menções, apenas interpretações. Para esta questão, ele leva a uma reflexão com uma pergunta, “em que estas interpretações se baseiam?”
Para o teólogo, não haveria outra forma de interpretar alguns versículos como a passagem de Levíticos 18:22 que diz “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; é abominação”.
Ele cita também Romanos 1:26-27 que diz “Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro”.
Todas as versões da Bíblia que ele conhece, Nicodemus afirma, condena o ato sexual entre pessoas do mesmo sexo. E indaga, “estariam todas elas erradas?”
“Todas as traduções que eu conheço - francês, holandês, alemão, espanhol, inglês e português (disponíveis no BibleWorks8) - verteram estas passagens de modo a dar a entender que o que está sendo condenado é exatamente as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo. Sabemos os nomes e as qualificações acadêmicas de seus editores, mas isto não aparece na ‘Bíblia Queen James’."
Augustus, finalmente, lamenta as afirmações dos editores desta nova versão da Bíblia e diz que tal proposta revela claramente o caráter ideológico desta tradução.
“A ‘Queen James’ é o tipo de publicação que autoriza qualquer um a editar uma Bíblia amenizando ou distorcendo as passagens que lhe ofendem”.

extraído
http://portugues.christianpost.com/news/biblia-gay-e-prova-de-que-qualquer-um-pode-distorcer-a-verdade-que-lhe-ofende-comenta-teologo-13787/

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Tragédias, mais uma vez: Deus e Sandy por Augustus Nicodemus Lopes

Toda vez que uma catástrofe ou tragédia de grande proporção atinge o mundo retorna à blogosfera a questão do mal e do sofrimento dos inocentes em um mundo governado por um Deus bom e Todo-Poderoso. É o caso do furacão Sandy, que nestes dias tem causado uma enorme destruição e a morte de dezenas de pessoas nos Estados Unidos e outros países. 

De longa data o mal que existe no mundo vem sendo usado como uma tentativa de se provar de que Deus não existe, ou se existe, não é bom. E se for bom, não é todo-poderoso - esta última hipótese defendida pelo teísmo aberto.

"Onde estava Deus quando estas tragédias aconteceram?" é a pergunta de pessoas revoltadas com o fato de que centenas de pessoas boas, desprevenidas, cidadãos de bem, foram apanhados numa tragédia e morreram de forma terrível, deixando para trás famílias, filhos, entes queridos.

Eu entendo a preocupação com o dilema moral que tragédias representam quando vistas a partir do conceito cristão histórico e tradicional de Deus. Se Deus é pessoal, soberano, todo-poderoso, onisciente, amoroso e bom, como então podemos explicar a ocorrência das tragédias, calamidades, doenças, sofrimentos, que atingem bons e maus ao mesmo tempo?

Creio que qualquer tentativa que um cristão que crê que a Bíblia é a Palavra de Deus faça para entender as tragédias, desastres, catástrofes e outros males que sobrevêm à humanidade, não pode deixar de levar em consideração dois componentes da revelação bíblica, que são:

  • A realidade da queda moral e espiritual do homem 
  • O caráter santo e justo de Deus.

Lemos em Gênesis 1—3 que Deus criou o homem, macho e fêmea, à sua imagem e semelhança, e que os colocou no jardim do Éden, com o mandamento para que não comessem do fruto proibido. O texto relata como eles desobedeceram a Deus, seduzidos pela astúcia e tentação de Satanás, e decaíram assim do estado de inocência, retidão e pureza em que haviam sido criados. As conseqüências, além da queda daquela retidão com que haviam sido criados, foram a separação de Deus, a perda da comunhão com ele, e a corrupção por inteiro de suas faculdades, como vontade, entendimento, emoções, consciência, arbítrio. Pior de tudo, ficaram sujeitos à morte, tanto espiritual, que consiste na separação de Deus, como a física e a eterna, esta última sendo a separação de Deus por toda a eternidade.

Este fato, que chamamos de “queda,” afetou não somente a Adão e Eva, mas trouxe estas conseqüências terríveis a toda a sua descendência, isto é, à humanidade que deles procede, pois eles eram o tronco e a cabeça da raça humana. Em outras palavras, aculpa deles foi imputada por Deus aos seus filhos, e a corrupção de sua natureza foi transmitida por geração ordinária a todos os seus descendentes.

Desde cedo na história da Igreja cristã esta doutrina, que tem sido chamada de “pecado original”, foi questionada por gente como Pelágio, que afirmava que o pecado de Adão e Eva afetou somente a eles mesmos, e que seus filhos nasciam isentos, neutros, sem pecado, e sem culpa e sem corrupção inata. Tal ideia foi habilmente rechaçada por homens como Agostinho, Lutero, Calvino e muitos outros, que demonstraram claramente que o ensino bíblico é o que chamamos de depravação total e transmitida, culpa imputada e corrupção herdada. As conseqüências práticas para nós hoje são terríveis. Por causa desta corrupção inata, com a qual já nascemos, somos totalmente indispostos para com as coisas de Deus; somos, por natureza, inimigos de Deus e, portanto, filhos da ira. É desta natureza corrompida que procedem os nossos pecados, as nossas transgressões, as desobediências, as revoltas contra Deus e sua Palavra.

Agora chegamos no ponto crucial e mais relevante para nosso assunto. Entendo que a Bíblia deixa claro que os nossos pecados, tanto o original quanto os pecados atuais que cometemos, por serem transgressões da lei de Deus, nos tornam culpados e portantosujeitos à ira justa de Deus, à sua justiça retributiva, pela qual ele trata o pecador de acordo com o que ele merece. Ou seja, a humanidade inteira, sem exceção – visto que não há um único justo, um único que seja inocente e sem pecado – está sujeita ao justo castigo de Deus, o que inclui – atenção! – a morte, as misérias espirituais, temporais (onde se enquadram as tragédias, as calamidades, os desastres, as doenças, o sofrimento) e as misérias espirituais (que a Bíblia chama de morte eterna, inferno, lago de fogo, etc.).

A Bíblia revela com muita clareza, e sem a menor preocupação de deixar Deus sujeito à crítica de ser cruel, déspota e injusto, que ele mesmo é quem determinou tragédias e calamidades sobre a raça humana, como parte das misérias temporais causadas pelo pecado original e as transgressões atuais. Isto, é claro, se você acredita realmente que a Bíblia é a Palavra de Deus, e não uma coleção de idéias, lendas, sagas, mitos e estórias politicamente motivadas e destinadas a justificar seus autores.

De acordo com a Bíblia:

  • Foi Deus quem condenou a raça humana à morte no jardim (Gn 2.17; 3.19; Hb 9.27). 
  • Foi ele quem determinou a catástrofe do dilúvio, que aniquilou a raça humana com exceção da família de Noé (Gn 6.17; Mt 24.39; 2Pe 2.5). 
  • Foi ele quem destruiu Sodoma, Gomorra e mais várias cidades da região, com fogo caído do céu (Gn 19.24-25). 
  • Foi ele quem levantou e enviou os caldeus contra a nação de Israel e demais nações ao redor do Mediterrâneo, os quais mataram mulheres, velhos, crianças e fizeram prisioneiros de guerra (Dt 28.49-52; Hab 1.6-11). 
  • Foi ele quem levantou e enviou contra Israel povos vizinhos para saquear, matar e fazer prisioneiros (2Re 24.2; 2Cr 36.17; Jr 1.15-16). 
  • Foi ele quem ameaçou Israel com doenças, pestes, fomes, carestia, seca, pragas caso se desviassem dos seus caminhos (Dt 28). 
  • Foi ele quem enviou as dez pragas contra o Egito, ferindo, matando e trazendo sofrimento a milhares de egípcios, inclusive matando os seus primogênitos (Ex 9.13-14). 
  • Foi o próprio Jesus quem revelou a João o envio de catástrofes futuras sobre a raça humana, como castigos de Deus, próximo da vinda do Senhor, conforme o livro de Apocalipse, tais como guerras, fomes, pestes, pragas, doenças (Apocalipse 6—9), entre outros. 
  • Foi o próprio Jesus quem profetizou a chegada de guerras, fomes, terremotos, epidemias (Lc 21.9-11) e a destruição de Jerusalém, que ele chamou de “dias de vingança” de Deus contra o povo que matou o seu Filho, nos quais até mesmo as grávidas haveriam de sofrer (Lc 21.20-26). 
  • E por fim, Deus já decretou a catástrofe final, a destruição do mundo presente por meio do fogo, no dia do juízo final (2Pe 3.7; 10-12).

Isto não significa, na Bíblia, que o sofrimento das pessoas é sempre causado por uma culpa individual e específica. Há casos, sim, em que as pessoas foram castigadas com sofrimentos temporais em virtude de pecados específicos que cometeram, como por exemplo o rei Uzias que foi ferido de lepra por causa de seu pecado (2Cr 26.19; cf. também o caso de Miriã, Nm 12.10). O rei Davi perdeu um filho por causa de seu adultério (2Sm 12.14). Mas, em muitos outros casos, as tragédias, catástrofes, doenças e sofrimentos não se devem a um pecado específico, mas fazem parte das misérias temporais que sobrevêm à toda a raça humana por conta do estado de pecado e culpa em geral em que todos nós nos encontramos. Deus traz estas misérias e castigos para despertar a raça humana, para provocar o arrependimento, para refrear o pecado do homem, para incutir-lhe temor de Deus, para desapegar o homem das coisas desta vida e levá-lo a refletir sobre as coisas vindouras. Veja, por exemplo, a reflexão atribuída a Moisés no Salmo 90, provavelmente escrito durante os 40 anos de peregrinação no deserto. Veja frases como estas:

Tu reduzes o homem ao pó e dizes: Tornai, filhos dos homens... Tu os arrastas na torrente, são como um sono, como a relva que floresce de madrugada; de madrugada, viceja e floresce; à tarde, murcha e seca. Pois somos consumidos pela tua ira e pelo teu furor, conturbados. Diante de ti puseste as nossas iniqüidades e, sob a luz do teu rosto, os nossos pecados ocultos. Pois todos os nossos dias se passam na tua ira; acabam-se os nossos anos como um breve pensamento...

Não devemos pensar que aquelas pessoas que ficam doentes, passam por tragédias, morrem em catástrofes eram mais pecadoras do que as demais ou que cometeram determinados pecados que lhes acarretou tal castigo. Foi o próprio Jesus quem ensinou isto quando lhe falaram do massacre dos galileus cometido por Pilatos e a tragédia da queda da torre de Siloé que matou dezoito (Lc 13.1-5). Ele ensinou a mesma coisa no caso do cego relatado em João 9.3-4. Os seus discípulos levantaram o problema do sofrimento do cego a partir de um conceito individualista de culpa, ponto que foi rejeitado por Jesus. A cegueira dele não se deveu a um pecado específico, quer dele, quer de seus pais. As pessoas nascem cegas, deformadas, morrem em tragédias e acidentes, perdem tudo que têm em catástrofes, não necessariamente porque são mais pecadoras do que as demais, mas porque somos todos pecadores, culpados, e sujeitos às misérias, castigos e males aqui neste mundo.

No caso do cego, Jesus disse que ele nascera assim “para que se manifestem nele as obras de Deus” (Jo 9.3). Sofrimento, calamidades, etc., não são somente um prelúdio do julgamento eterno de Deus; há também um tipo de sofrimento no qual Deus é glorificado por meio de Cristo em sua graça, e assim se torna, portanto, um exemplo e um prelúdio da salvação eterna. As tragédias servem para levar as pessoas a refletir sobre a temporalidade e fragilidade da vida, e para levá-las a refletir nas coisas espirituais e eternas. Muitos têm encontrado a Deus no caminho do sofrimento.

O que eu quero dizer é que, diante das tragédias e  acidentes devemos nos lembrar que eles ocorrem como parte das misérias e castigos temporais resultantes das nossas culpas, de nossos pecados, como raça pecadora que somos. Poderia ser eu que estava entre as vítimas do furacão Sandy. Ou, alguém muito melhor e mais reto diante de Deus. Ainda assim, Deus não teria cometido qualquer injustiça, ainda que todas as vítimas fossem os melhores homens e mulheres que já pisaram a face da terra. Pois mesmo estes são pecadores. Não existem inocentes diante de Deus, Bonfim. Pensemos nisto, antes de ficarmos indignados contra Deus diante do sofrimento humano.

Por último, preciso deixar claro duas coisas.

Primeira, que nada do que eu disse acima me impede de chorar com os que choram, e sofrer com os que sofrem. Somos membros da mesma raça, e quando um sofre, sofremos com ele.

Segunda, é preciso reconhecer que a revelação bíblica é suficiente, mas não exaustiva. Não temos todas as respostas para todas as perguntas que se levantam quando uma tragédia acontece. Não conhecemos a vida das vítimas e nem os propósitos maiores e finais de Deus com aquela tragédia. Só a eternidade o revelará. Temos que conviver com a falta destas respostas neste lado da eternidade.

Mas, é preferível isto a aceitar respostas que venham a negar o ensino claro da Bíblia sobre Deus, como por exemplo, especular que ele não é soberano e nem onisciente e onipotente. Posso não saber os motivos específicos, mas consola-me saber que Deus é justo, bom e verdadeiro, e que todas as suas obras são perfeitas e retas, e que nele não há engano.

[Este post foi baseado num outro post da minha autoria aqui no blog intitulado Carta a Bonfim: Deus e as Tragédias]

Augustus Nicodemus Lopes

terça-feira, 30 de outubro de 2012

AGENDA - SEBI - Sociedade de Estudos Bíblicos Interdisciplinares.

Na próxima semana, 05-10 de novembro, estarei dando aula na Sociedade de Estudos Bíblicos Interdisciplinares - SEBI - Brasília (DF). O módulo é Aconselhamento de Casais em Casos de Crise. Numa sociedade cada vez mais libertária, onde a liberdade humana e a autodeterminação são exaltados, influenciando os relacionamentos conjugais e familiares pela opinião pública e voto da maioria, nada mais pertinente como cristãos, reconstruir a base do casamento bíblico e buscar soluções  às crises, pela exposição da Teologia Bíblica. Peço suas orações.