quinta-feira, 21 de maio de 2009

A Cabana - Abrigo para a Alma ou Barraco Teológico?



Primeiramente quero compartilhar com meus leitores e blogueiros, que eu ainda não li o livro. Isso não me impede de postar em meu blog uma resenha, que ao meu ver, merece sim, ser lida e avaliada como uma contribuição para as mentes cristãs, até porque conheço o autor da resenha e sua teologia. Minha intenção nessa postagem não é criar discussão, mas uma reflexão para leitores evangélicos a fazerem uma análise minuciosa das tendências contagiosas da "teologia aberta", ou emergente, que sorrateiramente tem minado as fronteiras da Teologia Bíblica e da Igreja de Cristo. Eu, particularmente, já degustei muitas informações, ditas teológicas, por consequencia de minha imaturidade espiritual, que no decorrer do tempo, não me despertaram a mudanças e decisões na minha vida cristã, por isso peço que você, meu amigo leitor, leia com atenção essa resenha. Quero desafiá-lo a crer na suficiência das Escrituras e seus preceitos, que infalivelmente são verdadeiros e possíveis de serem conhecidos. Acredite!


Boa Leitura!




A Cabana - Abrigo para a Alma ou Barraco Teológico?


por Dr. Carlos Osvaldo Cardoso Pinto - Reitor do SBPV


Resenha de A Cabana, de William Paul Young.


Publicado em 2008 pela Editora Sextante, tradução de The Shack, publicado por Windblown Media em 2007.


Esta resenha incorpora elementos do original inglês e da tradução em português, visando destacar elementos positivos e negativos do livro. Seu título ficará evidente ao longo da leitura. Um subtítulo poderia ser Jó contra Mackenzie Allen Phillips.
A Cabana já vendeu mais de dois milhões de cópias mundo afora, está em listas de mais vendidos no Brasil, e foi um sucesso surpreendente, inclusive para seu autor, que em entrevistas declarou que seu propósito original era instruir seus próprios filhos (6). É, assim, um fenômeno literário sem paralelo nos dias atuais e deu ao seu autor uma projeção mundial que poucos autores conseguem no seu primeiro livro. Também em suas entrevistas Paul Young (ele prefere ser chamado pelo segundo nome) indica que há um quê de auto-biográfico no livro (“Eu sou Mack e Mack é eu”). Presumo que, como ele não perdeu nenhum de seus filhos, apenas suas lutas espirituais estejam refletidas na difícil peregrinação de Mack (cf. a contra-capa da EI). Apesar da informação constante em seu site sobre uma série de tragédias experimentadas por sua família maior, o leitor, e particularmente o resenhista, se pergunta se e como um filho de missionários poderia identificar-se com o filho de um bêbado e espancador doméstico. Talvez essas informações surjam quando Young escrever de novo ou algum biógrafo descubra e relate sua vida emocional (as cartas enviadas ao seu site http://www.windrumors.com/).
Para não estragar a leitura dos que ainda pretendem ler o livro, farei um mini-resumo. Mack, o personagem central, é casado com Nan e eles têm cinco filhos. Durante um passeio, a filha mais nova, Missy, é raptada e, depois de investigações, dada por morta, ainda que seu corpo jamais tenha sido encontrado. Esse evento precipita em Mack uma violenta crise que ele chama de A Grande Tristeza. Depois de algum tempo, recebe um bilhete convidando-o a voltar à cabana onde vestígios de sangue de sua filha tinham sido achados. Relutante, resolve ir ao local onde tem um encontro com ninguém menos do que o Deus trino. O restante do livro narra os diálogos entre Mack e as três pessoas da Trindade, bem como a transformação interior desse homem. O final, relativamente previsível, relata o retorno de Mack à sua família e as mudanças experimentadas como resultado de seu encontro com Deus.


Pontos Positivos


É uma leitura agradável e, em vários pontos, comovente. Como pai de três filhas pude sentir, vicariamente, a dor de Mack (o personagem central da narrativa). Embora ocasionalmente previsível, a narrativa flui bem e os diálogos são verossímeis, apesar da situação em que ocorrem ser fictícia. Fazer teologia em forma de diálogo é uma aventura, mas Mack lida com perguntas que professores de teologia têm que responder diariamente na sala de aula e em conversas informais em torno de uma pizza ou churrasqueira. Talvez por isso o livro me agradou (e desafiou) tanto.
O livro lida com uma questão universal, a do sofrimento inexplicado, e das reações emocionais e espirituais a ele. Na verdade, o livro tem o mérito de lutar para restabelecer o lugar adequado para Deus diante de situações inexplicadas e, para a maioria dos leitores, inexplicáveis.
Nos diálogos entre o Deus trino e Mack, Young procura basear no caráter de Deus tanto a compreensão do problema do sofrimento quanto uma eventual solução para as angústias que ele nos causa. Young se esforça para desfazer uma dicotomia muito comum, mesmo entre cristãos, que apresenta Jesus como um super-herói bonzinho e o Pai como um velho zangado e violento (cf. p. 174, EP). O mérito dessa tentativa será discutido abaixo.
Um outro ponto positivo é a afirmação de que Jesus está conosco no sofrimento e por isso não é necessário que nos entreguemos à sensação de abandono por Deus que o sofrimento normalmente traz. Infelizmente, a tradução em português omitiu uma frase importantíssima na p. 104 (p. 114 da EI). Mack diz a Jesus: Jesus? − sussurrou com a voz embargada. − Eu me sinto muito perdido. Uma mão se estendeu e ficou apertando a sua. − Eu sei, Mack. Mas não é verdade. (Eu estou com você e eu não estou perdido.) Lamento se a sensação é essa, mas ouça com clareza: você não está perdido. A frase entre parênteses não consta do texto português e isso é lamentável, pois é ela que dá sentido às palavras de Jesus a Mack.
Ainda que não possa endossar todo o capítulo 11, o diálogo ente Mack e Sofia, foi um dos melhores pontos do livro. Foi uma paráfrase intrigante da metáfora bíblica do barro criticando o oleiro pela forma que recebeu.


Pontos Negativos


Revelação - Creio que a primeira crítica a ser feita ao livro é que, veladamente, o livro menospreza a Bíblia como revelação e a teologia como um engessamento das maneiras criativas em que Deus Se revela e Se relaciona com as pessoas. Nesse aspecto, A Cabana se alinha com as ênfases da chamada igreja emergente contra a natureza proposicional da revelação de Deus e contra a teologia cristã histórica como um obstáculo ao conhecimento de Deus. (Curiosamente, tal como outros autores “emergentes”, ele se vale de proposições para atingir seu intento).


Trindade - A maneira pouco convencional em que o autor representa Deus dá lugar a uma imprecisão teológica com respeito às relações entre as pessoas da Trindade e sobre as funções de cada um na obra da redenção. Outro problema é a excessiva centralização do mundo na pessoa que sofre, como se a função maior de Deus fosse prover o consolo e a solução dos problemas causados pelo sofrimento. Não me parece que Young seja culpado de modalismo (a crença de que Deus não existe simultaneamente em três pessoas, mas é uma só pessoa divina que se manifesta em três modos. Na verdade, Young deixa bem claro que não crê isso, quando, na p. 91, Papai afirma: “Não somos três deuses e não estamos falando de um deus com três atitudes . . . Sou um só Deus e sou três pessoas, e cada uma das três é total e inteiramente o um.”Um problema relacionado a isso é que, apesar de esforçar-se por preservar a doutrina da Trindade, Young foi longe demais na identificação entre as três pessoas, afirmando que a Trindade encarnou (p. 89, EP) e chega extremamente perto do patripassianismo (a idéia de que o Pai sofreu na cruz) quando, nas pp. 95 e 96 (EP), Mack vê e toca as cicatrizes nas mãos de Papai.


Ficção ou Teologia? – Apesar de dizer que não está preocupado em comunicar doutrina, Young vende sua doutrina sobre Deus como se fosse verdade, a despeito de contrariar claramente a Palavra revelada de Deus. Por mais que os leitores sejam “abençoados” com a leitura, e as cartas enviadas ao site de Young deixam isso bem claro, precisamos entender que o próprio Deus não aprova que se fale o que não é verdadeiro a respeito dEle (cf. Jó 42.7). Falar coisas erradas sobre Deus vai, eventualmente, minar o consolo que os leitores recebem ao ler o livro, uma vez que Deus não está obrigado a fazer com todos os sofredores o que fez nesta ficção sobre Mack e seu sofrimento.


Salvação - Traços de inclusivismo permeiam o livro (cf. a história da princesa índia e a implicação de que a confiança no Grande Espírito seria suficiente para resolver o problema da tribo com Deus). Há, aqui e ali, indícios da idéia de que o sofrimento de Missy foi redentivo para Mack, e que Deus só ministra perdão quando nós perdoamos quem nos ofende (p. 208, EP). Além disso, Young sugere que não há uma punição eterna ao dizer (p. 109, EP): Não sou quem você pensa, Mackenzie. Não preciso castigar as pessoas pelos pecados. O pecado é o próprio castigo, pois devora as pessoas por dentro (ênfase minha).


Igreja – O autor se apresenta, em seu site e em entrevistas, como uma pessoa desigrejada e feliz por isso. A sensação de Mack quanto à igreja como fria, maçante e desinteressada, sedenta de poder e sem real razão de existir, também se alinha com o movimento da igreja emergente. O desdém evidenciado no livro para com seminários apresenta uma caricatura de instituições que, em sua maioria, tem preocupações genuínas com o bem estar emocional e espiritual de seus alunos e das comunidades em que estão inseridas.


Aconselhamento – Young concentra a atenção no sofrimento causado pela morte de Missy, sem dar muita atenção à maneira negativa com que Mack lida com sua vida familiar como criança e adolescente. Seu ódio e desprezo pelo pai colorem (ou descolorem) toda sua vida, social e religiosa. Interessantemente, é por causa desse problema que Deus Se manifesta a Mack como uma mulher negra (quase dá para ouvir um sotaque da Louisiana no original inglês, exceto quando Papai conversa sobre teologia; aí as palavras simples dão lugar ao jargão teológico), seguindo a linha de que é preciso aceitar a situação do “aconselhado” do que confrontá-lo com ela. Parece-me que o que Mack mais precisava era de uma figura paterna para quebrar seu estereótipo, mas Young só lhe dá isso no final do livro, quando “Papai” aparece como um homem de meia idade, depois que o problema de Mack com seu pai foi “resolvido”.Preocupa-me o fato de Papai dizer para Mack (p. 83): “Quero curar a ferida que cresceu dentro de você e entre nós”, referindo-se à angústia e à “depressão” causada pela morte de Missy, quando na realidade a ferida vinha desde os tempos da adolescência, em relação ao pai. No final do livro esta também é tratada, mas de um modo que vai comprometer a teologia total da obra (ver abaixo).


Frases Teologicamente Significativas (i.e., certas) em A Cabana


Dentre as afirmações teológicas dignas de elogio, na p. 88 Young descreve a tentativa humana de entender Deus. “O problema é que muitas pessoas tentam entender um pouco o que eu sou pensando no melhor que elas podem ser, projetando isso ao enésimo grau, multiplicando por toda a bondade que são capazes de perceber . . . e depois chamam o resultado de Deus.”
No diálogo entre Deus e Mack, Papai diz: “O importante é o seguinte: se eu fosse simplesmente Um Deus e Uma Pessoa, você iria se encontrar nesta criação sem algo maravilhoso, sem algo que é essencial. E eu seria absolutamente diferente do que sou” (Cap. 6, p. 91, EP). Ao que Mack retruca: “E nós estaríamos sem . . .?” Ao que Papai responde: “Amor e relacionamento. Todo amor e relacionamento só são possíveis para vocês porque já existem dentro de Mim, dentro do próprio Deus . . . Eu sou o amor.” Ponto para Young por destacar esta importantíssima percepção quanto à necessidade da Trindade para que 1 Jo 4.8 e 16 sejam verdadeiros.
Na p. 84 (EP) há uma boa frase. Papai afirma: A verdadeira paternidade faria muito mais falta que a maternidade. Isso reflete a situação atual em nosso mundo, quando a figura do pai é notável pela sua ausência em tantos lares (às vezes por escolhas das próprias mães).
Outra frase que merece citação aparece na p. 173 (EP) − A graça não depende da existência do sofrimento, mas onde há sofrimento você encontrará a graça de inúmeras maneiras.



Frases Teologicamente Imprecisas (i.e., erradas) em A Cabana


Nós estávamos lá, juntos (p. 86 EP), indica mais claramente a questão do patripassianismo no livro. Young efetivamente afirma a presença física no Pai na cruz, que ele confirma na p. 151 (EP).
Outra frase imprecisa é: Quando nós três penetramos na existência humana . . . (p. 89, EP). Embora eu queira dar a Young o benefício da dúvida, é difícil fugir da idéia de que ele entende que a Trindade encarnou, quando as Escrituras deixam claro que foi somente o Verbo, a eterna segunda pessoa da Trindade, que adentrou em carne a história humana.
Na p. 90 (EP; p. 100 EI), Papai afirma: Ele (Jesus) foi simplesmente o primeiro a levar isso até as últimas instâncias; o primeiro a colocar minha vida dentro dele, o primeiro a acreditar no meu amor e na minha bondade, sem considerar aparências ou consequências. Ainda que o contexto imediato tenha o mérito de apontar para a dependência de Jesus em relação a Deus durante Sua encarnação, a frase pode (e talvez tenha sido escrita com o propósito de) indicar que outros chegaram ou chegarão ao mesmo status de Jesus.
O livro propõe muito claramente a malignidade da hierarquia e a rejeição de todo o conceito de autoridade, inclusive na igreja e na família. Na p. 145 (EI), Jesus afirma a Mack que Seu relacionamento com o Pai é de mútua submissão. Ao falar isso, Young está questionando abertamente a doutrina da hierarquia funcional dentro da Trindade, expressa especialmente no que tange à obra terrena do Filho (cf. 1 Co 11.3). Ao afirmar essa submissão recíproca (pois Sarayu também é incluída), Young pretende afirmar, no mínimo, algo que as Escrituras jamais afirmam; na verdade, ele parece partir do seu conceito de relacionamentos humanos e exaltar essa submissão recíproca da família (marido, esposa e filhos) a uma dimensão celestial. Nesta observação citei a EI porque, para complicar essa questão ainda mais um pouco, a EP (p. 132) traz: Os relacionamentos verdadeiros são marcados pela aceitação, mesmo quando suas escolhas não são úteis nem saudáveis. A palavra submission, usada na EI, foi trocada por aceitação, que tornou a frase teologicamente mais certa, mas acabou por disfarçar o perigo teológico, pois o contexto fala do relacionamento entre Jesus e cada um de nós. No inglês fica a sugestão que Jesus se submete a nós para manter a autenticidade do relacionamento.
Sarayu afirma que na Trindade não existe uma cadeia de comando, apenas um círculo de relacionamento (p. 111, EP). De novo, Young parece jogar pela janela o conceito de uma hierarquia funcional proposto por Jesus no Discurso do Cenáculo, Jo 14 − 16) ao especular sobre um relacionamento essencial na Trindade. Young faz uma associação da hierarquia com a matriz (cf. The Matrix, p. 113; EP) e sugere que hierarquia é um produto da Queda. Isso não é novo, mas agora está sendo dito de maneira ainda mais sutil do que, por exemplo, o movimento feminista vem dizendo por várias décadas.
Criamos vocês, os humanos, para estarem num relacionamento de igual para igual conosco (palavras de Sarayu, p. 114, EP). A não ser que eu tenha lido de maneira muito errada a minha Bíblia, jamais estaremos no mesmo plano que Deus. Ele será eternamente adorado e eu eternamente adorador. Somos salvos para viver para louvor da Sua glória (Ef 1.12), não para partilhá-la de igual para igual.
Submissão não tem a ver com autoridade, e não é obediência (palavras de Jesus, p. 133 EP). Uma vez mais, o conceito bíblico da perfeita obediência do Verbo encarnado ao Pai que O enviou é varrido para baixo do tapete da igualdade ontológica. Parece que Young não gosta das tensões bíblicas, só daquelas que ele mesmo propõe.
Por amor. Ele escolheu o caminho da cruz, onde a misericórdia triunfa sobre a justiça por causa do amor (p. 151, EP). Esta frase é extremamente perigosa, pois toma o texto de Tiago 2.13 e faz com que ele diga que Deus optou por fazer Seu amor superar Sua justiça. Isso não é apenas uma distorção do sentido tencionado por Tiago − que a prática da misericórdia [como evidência da fé] impede que os cristãos sejam disciplinados por Deus − mas uma idéia muito errada sobre Deus, a de que haja conflitos entre Seus atributos ou entre as pessoas da Trindade. A imprecisão é suficiente para fazer a frase parecer bíblica e, por isso, seu efeito é duplamente nocivo.
p. 164 (EP). Jesus diz a Mack: “. . . nosso destino final não é a imagem do Céu que você tem na cabeça. Você sabe, a imagem de portões adornados e ruas de ouro. O Céu é uma nova purificação do universo, de modo que vai se parecer bastante com isso aqui.” Young sugere a mesma teoria escatológica de N. T. Wright, teólogo britânico que, ano passado, apareceu no Fantástico propondo uma escatologia minimalista em que o novo universo a ser criado por Deus é apenas uma Terra glorificada. No parágrafo seguinte Young coloca nos lábios de Jesus o que Robert Gundry sugeriu num artigo (“The New Jerusalem: people as place, not place for people”, Novum Testamentum 29: 3 [Julho 1987]: 254-264), que Ap 21 apenas apresenta a Igreja como se fosse um lugar. Esta resenha não é o lugar para discutir tais interpretações, mas fica aqui o registro de como elas me desagradam. A idéia de que o Céu não é um lugar, apenas um estado de espírito ou um relacionamento, limita seriamente o poder transformador da escatologia bíblica e vai diretamente contra o ensino dAquele que disse a Seus discípulos, “vou preparar-vos lugar” (Jo 14.2 – ênfase minha).
pp. 168-169 (EP) – Depois de dizer a Mack que ele, Jesus, não é cristão (acho que Young deve ler de novo o livro de Atos, para entender que Jesus define o que é ser cristão), Jesus continua: Os que me amam estão em todos os sistemas que existem. São budistas ou mórmons, batistas ou muçulmanos, democratas, republicanos . . . Tenho seguidores que foram assassinos e muitos que eram hipócritas. Há banqueiros, jogadores, americanos e iraquianos, judeus e palestinos. Não tenho desejo de torná-los cristãos, mas quero me juntar a eles em seu processo para se transformarem em filhos e filhas do Papai, em meus irmãos e irmãs, em meus amados. Não vou comentar sobre essa frase. Deixarei que ela seja comparada a uma frase da muito citada musa dos neo-evangélicos, Madre Teresa de Calcutá: “Minha missão não é transformar qualquer pessoa em cristão; quero ajudar o hindu a ser o melhor hindu que puder, o muçulmano a ser o melhor muçulmano que puder, o budista a ser o melhor budista que puder, e o cristão a ser o melhor cristão que puder”. Tire o leitor a sua conclusão.
Quando se trata da vida cristã, Young enfatiza corretamente que ela se trata de um relacionamento (cap. 14) e não de regras. Mas dizer isso é ser muito reducionista, pois Aquele que disse desejar nosso amor disse também “Se me amais, guardareis os meus mandamentos”. A frase dos coríntios (não de Paulo) que Sarayu cita (p. 189, EP), Todas as coisas são legítimas, ganha o mesmo efeito errado que tinha na boca dos libertinos de Corinto e sugere um antinomianismo que parece latente em todo o capítulo.


Considerações Finais


Por que A Cabana está vendendo tão bem? Talvez porque a maioria dos cristãos atuais queira comida pré-processada e pasteurizada, e não queira se dar ao trabalho de (ou talvez simplesmente não saibam como) colher nas Escrituras e preparar, pelo estudo pessoal e a comparação com o pensamento cristão histórico, sua própria alimentação. Ou, para mudar a metáfora para algo mais semelhante ao livro, queiram apenas colocar um Band-Aid na ferida, ao invés de lidar com a infecção. Por outro lado, talvez porque descreva emoções e sensações espirituais de maneira poética e ocasionalmente bela, às vezes desenvolvendo metáforas bíblicas, às vezes usando de maneira criativa a imaginação (como no cap. 15).
Gostaria de estabelecer um contraste com outro livro de ficção que faz sucesso a muito tempo e fez muito sucesso recentemente, O Senhor dos Anéis. Ambos são obra de ficção, e ambos contêm idéias corretas, idéias erradas e idéias duvidosas. A diferença é que J. R. R. Tolkien não pretendia que seu livro mudasse os conceitos que as pessoas têm sobre Deus. Queria ilustrar o conflito histórico entre o bem e o mal e a esperança de que um Rei legítimo venha a dar fim a tal conflito. Pode comunicar (e em meu entender de fato o fez) um papel errôneo a figuras femininas (uma mariolatria velada) mas não afirma que devemos rejeitar a visão cristã sobre a volta do Rei em favor de uma devoção à Sua mãe terrena.
Paul Young quer divulgar essa “nova” visão de Deus (que envolve uma nova visão de vários outros conceitos cristãos) e seus leitores aceitaram, ingenuamente, essa proposta, que mistura verdade e erro de modo particularmente perigoso. Esses leitores que dizem ter obtido uma visão nova (e melhor) de Deus deveriam lembrar que ninguém, na história da Igreja, foi 100% herético ou teve intenções declaradas de destruir a fé cristã. Assim mesmo, suas idéias incorretas contaminaram e enfraqueceram a Igreja por séculos e séculos.
Assusta-me o fato de que ninguém menos que Eugene Peterson, professor de espiritualidade no Regents College, e talvez o pastor da maioria dos pastores evangélicos do Brasil, tenha feito um endosso tão entusiasmado de A Cabana. Felizmente os editores em português não o colocaram na capa, como os editores norte-americanos, ou teríamos uma epidemia de má teologia em nossas mãos. Ler e entender A Cabana exige discernimento e coragem para nadar contra uma correnteza de imprecisão teológica que vai demorar algum tempo para ser percebida pela igreja em geral e, é pena dizer, por muitos daqueles que a conduzem.
Que fazer, então? Igrejas e escolas evangélicas deveriam banir esse livro? Queimá-lo em praça pública? Isso faria mais pela venda de A Cabana do que as centenas de entrevistas ao vivo e pela internet que seu autor tem dado nos últimos doze meses. Este livro precisa ser lido por pessoas maduras na fé e discutido com os leitores menos avisados. É preciso que professores e pastores leiam, releiam e analisem o livro. Nem tudo é lixo em A Cabana, o que o torna mais arriscado como leitura devocional (hábito que está se propagando da Austrália ao Zimbábue). Alguns dos que escrevem para o site de Paul Young parecem ter relegado a revelação de Deus nas Escrituras a um plano muito inferior, menos pessoal e atraente, e certamente muito menos prático e consolador que o livro do canadense.
Sem dúvida há aí o efeito lemingue, que deverá passar dentro de algum tempo. Eu não concordo com a afirmação de Eugene Peterson (capa da EI) de que A Cabana tenha o potencial de fazer por nossa geração o que O Peregrino de John Bunyan fez pela sua. Daqui a trezentos anos, quem sabe, os méritos desse endosso poderão ser discutidos.
Cautela, Bíblia aberta, e várias leituras são essenciais para entender este livro e para utilizá-lo mais do que como entretenimento pessoal. Ainda estamos nos estágios iniciais de A Cabana no mundo de fala portuguesa. É preciso que os que se importam com a verdadeira saúde espiritual da Igreja corram o risco de contestar (na maior parte) e concordar (em alguns momentos) com William Paul Young e sua cabana. Ela está sendo vendida como um abrigo para a alma, mas está mais para “barraco” teológico.

Carlos Osvaldo Cardoso Pinto


Reitor – Seminário Bíblico Palavra da Vida


Young substitui a palavra juízo (krivsi~ no grego), usada por Tiago, pela palavra justiça (que seria a palavra grega dikaiosuvnh). É um exemplo perfeito de citação mal feita, quer por ignorância, quer por tendenciosidade.
(extraído do site do Seminário Bíblico Palavra da Vida - www.opv.sbpv.org.br)

terça-feira, 5 de maio de 2009

FAMÍLIA É LUGAR DE...


Caros amigos e irmãos,

Uma palavra sobre família escrita pelo Pr. Darcy Sborowski Junior, meu irmão duas vezes.

Uma boa leitura.


Família é lugar de:


Escrito por Pr Darcy Sborowski Jr.


Dom, 03 de Maio de 2009 21:22


No mês de maio, o mês da família, iremos estudar juntos vários textos bíblicos que nos mostrarão o que o Senhor espera que aconteça no seio de nossas famílias.
Estou intitulando a série como: família é lugar de...
Família é lugar de proteção contra as ofertas imorais do mundo de nossos dias. É na família que temos condições de sermos preservados da imoralidade carnal e insana do presente século, como foram protegidas as famílias de Noé e Ló em seus dias. Gn. 06 e 18.
Família é lugar onde aprendemos a fé sem fingimento, aquela fé pura, e as verdades do evangelho bíblico e puro. 2 Tm. 1.5,6.
Família é o lugar da terapia divina, pois é no relacionamento familiar que encontramos os subsídios para que lidemos, tratemos e sejamos curados das síndromes do egoísmo, do pânico, da hiperatividade, do transtorno explosivo intermitente (um nome novo para “paviozinho curto”), enfim, é no seio familiar que a gente encontra mães, pais,filhos, irmãos, tios que nos ajudam a conter esses males da corrupção humana, pós-modernamente chamados de distúrbios. Pv. 4.1-13.
Martinho Lutero, o grande reformador, o homem das 95 teses contra as indulgências, certa vez expressou que: “todas as virtudes têm irmãs gêmeas ilegítimas que desonram a família”.
Neste mês aprenderemos juntos com as Sagradas Escrituras que família é lugar de solidificar, fundamentar e instituir virtudes eternas que jamais serão influenciadas pelas irmãs gêmeas ilegítimas que desonram a família.
Que o Senhor abençoe todas as famílias da IBVM.

Do pastor e família que amam a família ibvmense
Pastor Darcy, Denise, Deborah e Daniel.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

CRIACIONISMO



A ciência das origens não pretende responder apenas à questão de “como o Universo surgiu por acaso?”, mas sim “como o Universo surgiu?”. Assim sendo o “por acaso” é apenas uma das respostas teóricas e cientificamente possíveis.
Dentro da mentalidade naturalista que permeia o pensamento científico atual, um outro grave erro é cometido contra a Teoria do Criacionismo e a Teoria do Design Inteligente: o de achar que essas teorias estejam baseadas em pressupostos religiosos.
Michael Denton, biólogo molecular, esclarece esta questão da seguinte forma:
“Pelo contrário, a inferência do planejamento [teoria da criação e teoria do design inteligente] é uma indução puramente a posteriori [após examinar-se as evidências] baseada numa aplicação inexoravelmente consistente da lógica e da analogia. A conclusão pode ter implicações religiosas, mas não depende de pressuposições religiosas.” (Evolution, A Theory in Crisis (Bethesda, MD: Adler and Adler, 1986) p. 341).
Henry Margenau e Roy Abraham Varghese, editores do livro Cosmos, Bios, Theos, que foi produzido juntamente com outros 60 cientistas, 24 dos quais receberam um prêmio Nobel, confirmam a estrutura consistente da lógica e da analogia da ciência criacionista afirmando que “… só há uma resposta convincente para explicar a enorme complexidade e as leis do Unvierso – a criação por um Deus onisciente e onipotente.” (“The Laws of Nature Are Created by God” em Cosmos, Bios, Theos (LaSalle, IL: Open Court, 1992), p. 61).
Portanto, a questão de alguém não aceitar que uma forma de vida inteligente e superior tenha criado todo o Universo e a vida que nele se encontra, não está baseada na falta de evidências científicas ou até mesmo da lógica científica como explicam Fred Hoyle e Chandra Wickramasinghe: “De fato, tal teoria é tão obvia que ficamos imaginando porque não é largamente aceita como auto-evidente. As razões são mais psicológicas do que científicas.” (Evolution from Space (Londres: J.M. Denton & Sons, 1981), p. 130);
Colocando em uma linguagem mais simples, tanto o “naturalismo científico” quanto o criacionismo científico” buscam nas mesmas fontes as evidências para as suas propostas. A interpretação dessas evidências pode ser diferente. Mas isto não é uma questão de ciência e religião. Isso é uma questão de interpretação.
Uma avaliação cuidadosa do crescente número de evidências, será de grande auxílio para o estabelecimento da primazia entre estas teorias.
Portanto, queremos nas páginas deste portal (www.universocriacionista.com.br) trazer evidências para demonstrar não como tudo começou por acaso, mas sim como o tudo começou.
Artigo extraído do site www.universocriacionista.com.br - Adauto Lourenço

O ANGUSTIADO GRITO DO CARNAVAL



Não sei se estou certo, mas me parece que a expressão “grito de carnaval” se refere a uma espécie de sinal que dá abertura às festividades carnavalescas. Se for realmente isso, após o tal “grito”, inicia-se a festa mais danosa que o nosso povo realiza.
O carnaval, porém, não é caracterizado só por esse grito. Há outro grito mais forte, ainda que disfarçado, que ressoa ininterruptamente ao longo dos dias e noites da terrível festa. É o grito de angústia que o comportamento das pessoas demonstra existir dentro do seu coração.
Nosso povo é um povo infeliz. Muito infeliz. É um povo que caiu na desventura de acreditar que os sofrimentos provenientes de suas misérias podem ser atenuados pela imoralidade. Fizeram nossos compatriotas crer que sendo imorais serão felizes; que seus sofrimentos serão esquecidos se se entregarem aos prazeres carnais. Quanta mentira! O resultado da busca desenfreada de prazeres gerou mais miséria ainda: as famílias se desmantelaram; o respeito e a confiança entre as pessoas sumiram; crianças indesejadas nasceram e agora crescem sem a menor noção do real sentido da palavra “lar”; doenças terríveis proliferaram; problemas financeiros se multiplicaram... Essa foi a “felicidade” que a imoralidade trouxe.
E mesmo assim nosso povo não aprende! Ainda busca em meio às orgias e ao som dos tambores abafar o grito de angústia do coração. E até conseguem por alguns momentos! Porém, a quarta-feira cinzenta chega inexoravelmente e, no raiar dela, o grito do coração parece ainda mais forte e mais decidido a incessantemente ecoar.
Tal é a desventura da “brava gente brasileira”. Somente Cristo pode ajudá-la. Somente o Salvador pode sufocar o real grito de carnaval, grito de desespero que explode no peito das pessoas (Jo 4.14; 7.38; 10.10). Somente nele há esperança. Todos precisam saber!


Pr. Marcos Granconato

Soli Deo gloria


(extraído - sita http://www.sbpv.org.br/)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Quando estou deprimido e ansioso


Ainda muitos cristãos sofrem diante das circunstâncias dessa vida por não compreenderem que as Escrituras são suficientes para a cura da alma (Sl 19.7a). Cremos em nossa missão na suficiência das Escrituras, inclusive na sua eficácia, quando aplicada de maneira correta e direcionada aos nossos corações, trazendo alívio e descanso para nós. Abaixo, Pr. Darcy traz, no seu artigo, uma intrução de como realizar a terapia divina no coração, através do exercício devocional de oração, leitura e aplicação das Sagradas Escrituras. Faça uma boa leitura, e que Deus o abençoê ricamente durante todo o restante dessa semana, mesmo nas aflições e perigos, que certamente nos afligirão.




"No dia 23 de janeiro de 2009, às 6h30, levantei e fui direto ao meu escritório para ler a Palavra e orar. Nestes dias estamos passando por tempos de muita luta e aflição.
Logo que abri a Bíblia me deparei com 2 Co 12:9 e com a verdade consoladora e restauradora da expressão divina: “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo”.
Que bela manhã e grande começo. Bem que a Palavra nos diz em Salmos 30:5: “Porque não passa de um momento a sua ira; o seu favor dura a vida inteira. Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã”.


Querido leitor,


Diante de verdades tão fortes e animadoras há um coração derretido e estremecido por causa dos desafios e lutas, gostaria muito de lembrar-nos que:
Quando deprimido ou ansioso por causa de algum problema a enfrentar em casa, no trabalho, na igreja ou em qualquer outro local eu me lembro de que a graça me basta através de Rm 8:31 que diz: “Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?”.


Quando deprimido ou ansioso por causa do bem estar daqueles que amo, meu cônjuge e meus filhos, eu me lembro de que a graça me basta através de Salmos 37:25: “Fui moço e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão”.


Quando deprimido ou ansioso por causa da crise financeira que afetou minha empresa e meus negócios, eu me lembro de que a graça me basta através de Hebreus 13:5: “Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei”.


Quando deprimido ou ansioso por causa de um desafio aflitivo em minha vida, eu me lembro de que a graça me basta através de Salmo 34:19 que diz: “Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR de todas o livra”.


Quando deprimido ou ansioso por causa da idade avançada e da minha velhice, eu me lembro de que a graça me basta através de Isaías 46:4: “Até à vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda até às cãs, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei”. E ainda de Salmos 92:14: “Na velhice darão ainda frutos, serão cheios de seiva e de verdor”.


Quando deprimido ou ansioso por causa de um luto inevitável, eu me lembro de que a graça me basta através de 2 Co 1:3-4 que diz: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação!”.


É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.


Quando deprimido ou ansioso por causa de uma derrota ou incapacidade, eu me lembro de que a graça me basta através de 1 Co 1:28: “E Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são”.


Quando deprimido ou ansioso por causa de sofrimentos e infortúnios na vida, eu me lembro de que a graça me basta através de Rm 8:37-39:
“Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou;
Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes,
Nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”.


Quando deprimido ou ansioso por causa do que comer e vestir eu me lembro de que a graça me basta através de Mateus 6:33-34 que diz:
“Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal”.


Naquela manhã experimentamos mais uma vez a suficiência da graça de Deus. Nossos dias ainda têm desafios e lutas, tristezas e dificuldades, mas estejam todos certos de que através da graça de Deus por meio de Sua Palavra em nossos corações, estamos sendo consolados e suportados no poder de Cristo Jesus que se aperfeiçoa em meio à fraqueza."


Que o Deus de toda graça os acuda.
É a nossa oração,

Pastor Darcy e Denise


(artigo extraído do site http://www.ibvm.org.br/ - Pr. Darcy Sborowski Jr.)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

ACEH - ASSOCIAÇÃO DE CAPELANIA HOSPITALAR EVANGÉLICA


Eleny Vassão de Paula Aitken é capelã-missionária da Igreja Presbiteriana do Brasil e casada com o missionário Gavin Levi Aitken e seus filhos são: Todd, Aimme, Dalton, Davi, Denis e Daniel. É licenciada em Artes Plásticas e Teologia e Mestre em Aconselhamento Bíblico. Presidente da Associação de Capelania Evangélica Hospitalar (ACEH), é também capelã evangélica-titular do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e do Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo. Autora dos livros: Aconselhamento a pacientes terminais; No leito da enfermidade; Consolo; Mal em Bem; A missão da igreja frente a AIDS; Esperança para vencer; O poder do amor; Dor na alma; Aconselhamento a pessoas em final de vida; No leito da enfermidade (para pacientes).


Como compartilhei na postagem anterior, participei dos treinamentos de capelania hospitalar evangélica com a equipe da Associação de Capelania Evangélica Hospitalar- ACEH, embora ainda não conseguimos iniciar esse ministério em nossa cidade, pelo fato dos Hospitais locais serem bem fechados quanto a esse movimento, e é claro, fechados por causa daqueles que, de forma irresponsável, agiram indissolutamente com a verdade trocando-a por falácias ações "cristãs". Mas creio que um dia, se o Senhor permitir, estaremos levando consolo e cura para os corações daqueles que nos hospitais procuram a cura física de suas doenças. A Associação de Capelania Evangélica Hospitalar trabalha seriamente equipando pessoas evangélicas, de várias denominações, para serem ferramentas do Reino de Cristo, exercendo o papel de capelão hospitalar. Gavin e Eleny estão à frente desse ministério por décadas e creio que em nosso país, é uma das melhores equipes para realizar um treinamento nessa área. Particularmente, conheço a seriedade do Gavin e Eleny, pela responsabilidade e coerência que esse casal trabalha à frente dessa organização, principalmente quando se trata da suficiência das Escrituras e pelo amor dedicado perante seus chamados para a obra de Cristo. Conheça destalhes desse ministério pelo site http://www.capelania.com.br/ e se você vibrar o seu coração quanto a ser um capelão, antes, um missionário equipado, vá em frente. Para mim e minha esposa, foi um grande privilégio passar por ali e perceber o quanto Deus têm por fazer, usando eu e você, nesse campo missionário, chamado HOSPITAL.

Pelo Reino

Douglas Sborowski


O CONFORTO DE UMA MÃO




Há alguns anos atrás, tive o privilégio de participar de um treinamento de Capelania Hospitalar com Eleny Vassão e sua equipe. Durante o treinamento pude perceber que o consolo de Deus caminha dentro dos corredores hospitalares pela disposição de pessoas que compreendem que os hospitais são campos missionários, levando ali o Evangelho de Cristo não somente para curar as almas mas também ser solidario com os sofrimentos daqueles que, por algum modo, são tirados de suas rotinas da vida, tendo que passar por hospitais com suas enfermidades ou "atropelos" circunstâncias, dos quais estamos vulneráveis a qualquer momento. Li um artigo escrito pela Eleny Vassão com o título O CONFORTO DE UM A MÃO e transcrevo abaixo para que você medite um pouco mais sobre a sua vida e a providência do Senhor, por suas misericórdias que a cada di são novas. Boa Leitura!

O CONFORTO DE UMA MÃO

A capelã Eleny Vassão explica como, mesmo que não seja da maneira que esperamos, Deus nos tira da situação difícil, curando-nos ou afastando inimigos.

Porque, chegando à Macedônia, nenhum alívio tivemos, pelo contrário, em tudo fomos atribulados: lutas por fora, temores por dentro. Porém Deus, que conforta os abatidos, nos consolou com a chegada de Tito." 2Co 7.5,6Gustavo era um menino pequeno, de olhos bem verdes, esperto. Sem muita paciência, ele aguardava ser chamado para outra sessão de quimioterapia naquele hospital tão seu conhecido.O garoto não sabia bem qual era o seu problema. Só sentia que estava doente e sabia que teria de tomar muitos remédios, mas não podia entender a gravidade da situação.Ele se aproximou da mesinha onde estavam as outras crianças a quem contávamos histórias bíblicas e incentivávamos a colorir os desenhos sobre a mesa enquanto elas aguardavam o tratamento. Curioso, ele perguntou: "Posso desenhar também?" Sentou-se ao meu lado, ouviu a história bíblica e desenhou sossegado.Aproximei-me de sua mãe e começamos a conversar. Ouvi seus medos e dúvidas e, então, pude lhe mostrar a presença de Cristo naquele lugar por meio de uma história bíblica.Contei-lhe sobre o cuidado de Deus em providenciar tão rapidamente uma vaga para o tratamento, mostrando-lhe que esse já era um milagre em sua vida. Muitas vezes queremos que Deus faça um milagre como achamos que deva ser um, e não enxergamos o milagre diante de nós.Os meses se passaram e, durante quase dois anos, eu o encontrava todas as quintas-feiras pela manhã, às vezes com vontade de conversar, às vezes bravo, como uma criança normal, cheio de sonhos e vontades.Em uma quinta-feira, a mãe de Gabriel não pôde estar com ele. Em seu lugar, veio Dulce, a avó que, com muita paciência, respondia a todas as suas questões. Eu só ouvia do box ao lado: "Vó Dulce, por que o time se chama Botafogo? Por que alguém pôs fogo? Por que o time se chama Ponte Preta? Por que alguém pintou a ponte de preto?"Enquanto me divertia ouvindo aquela conversa, a vó Dulce reclamou de sede. Acabei o artesanato que fazia com outra criança e fui ajudar Gustavo, para que sua vó fosse beber água. Como ele não estava com a bolsa de água morna para colocar no braço, eu deveria colocar minha mão sobre a sua veia de seu braço esquerdo, aquecendo-a para diminuir a dor, enquanto a medicação entrava (a medicação da quimioterapia arde muito na veia, mas a dor diminui com o calor).Entretanto, percebi que, em sua cadeira, estava meio escondida sua luva plástica amarrada e cheia de água morna. Perguntei a razão de a luva estar na cadeira e não em sua veia. Sem pensar duas vezes, ele respondeu: "Acontece, tia, que mão de gente é bem melhor do que luva de plástico!".Naquele dia aprendi uma grande lição de vida com Gustavo: é claro que, em caso de dor e medo, a mão humana é bem melhor que uma luva!Realmente, nosso ministério de capelania hospitalar, levando conforto e esperança aos enfermos e seus familiares, é único. Muitas vezes, no mesmo dia e com o mesmo paciente, choramos e sorrimos muito.O amor de Deus é tão grande que me permite senti-lo a cada dia, capacitando-me para aprender, com crianças como Gustavo, que "mão de gente é bem melhor que uma luva de água morna".Paulo, o apóstolo, também enfrentara grandes sofrimentos, ao chegar à Macedônia. Lutas por fora e temores por dentro tiravam seu ânimo, deprimindo seu coração, tornando difícil continuar a caminhar no ministério. Quando estamos assim, sentimo-nos solitários, como se a nossa dor fosse única e não pudesse ser compartilhada com mais ninguém.Mas o nosso Deus está atento a tudo que nos acontece e Ele sempre responde nossas orações. Nem sempre da maneira como esperamos, tirando-nos da situação difícil, curando-nos ou afastando de nós inimigos perversos, mas Ele está conosco e nos ensina as melhores lições na hora da dor.No caso de Paulo, Deus não lhe repreendeu por estar sofrendo, não o acusou de ter pouca fé, não o estimulou a mascarar ou negar sua dor. Deus o ouviu, sensível ao abatimento de sua alma, e enviou-lhe, como resposta à sua oração, Tito, o consolo em forma de gente. Ele lhe trazia a alentadora notícia sobre o amor e os cuidados da igreja de Corinto com a sua pessoa.Agora Paulo não mais se sentia sozinho em meio a suas lutas. Sabia que todos estavam com saudades dele, pensando, chorando e orando por sua vida. Ele não estava só. Outros queridos também estavam com ele. Mesmo que à distância, estavam ligados por laços de amor, que ninguém poderia cortar.Tito ficou com ele. Era alguém de pele e osso, com quem podia chorar, compartilhar suas lutas, rir de coisas pequenas e quase sem graça. Era alguém em quem podia confiar e abrir seu coração, sem medo de ser recriminado.Quantas vezes, ao contemplarmos o sofrimento de pessoas ao nosso redor, temos nos omitido, pois a dor do outro nos deixa sem palavras ou não temos a explicação que, imaginamos, daria motivo ao seu sofrer.É importante sabermos que nem sempre os sofredores estão buscando por respostas. Mas, com certeza, eles estão sempre procurando por uma mão amiga e quente, que alivie a dor de seu coração.Todos os recursos da técnica mais moderna da medicina não conseguem substituir a presença de uma mão amiga que, no momento do ardor na veia, simplesmente se repouse sobre a mão do outro, aquecendo a sua pele e a sua alma.Como Gustavo, não podemos nos esquecer que "mão de gente é bem melhor que uma luva de água morna".
(extraído - REFLEXÃO - Mundo Cristão - 29/01/2009 - por Eleny Vassão)
Se você quiser saber mais detalhes do ministério sobre Capelania Hospitalar, acesse o site http://www.capelania.com/ (Associação de Capelania Evangélica Hospitalar) e acompanhe nossa próxima postagem no blog.